Eu gosto de te acompanhar, fazer as mesmas coisas que você faz. Tentar assistir teus filmes e seriados preferidos, só pra ter o que falar com você. Gosto de me viciar nas redes sociais que você também se vicia e ouvir as músicas que você gosta. Sei lá, só pra te sentir um pouco mais perto.
Você já se sentiu partindo ao meio? Você já se sentiu fora de lugar? Como se de alguma forma você não fosse daqui e ninguém te entendesse?
Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louco pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir.
Sou essa pessoa insegura, cheia de mimas, cheia de preocupação com quem gosto, cheio de vontades, tenho tantos sonhos que chegam a transbordarem, sou muito carente, talvez um tanto sensível, mas também sou amante, quando amo, amo pra valer, quando quero vou até o fim, ei um conselho, não me faça desistir de você, a vida é dura, mas não há nada que você não possa se orgulhar no final.
A partir do momento que passavam a conhecê-la, as pessoas desistiam. Ela era tão complicada, tão insegura e na maioria das vezes fazia tudo errado. Sentia-se insegura porque toda vez era ela quem corria atrás para tentar segurar uma ponte de ambos os lados. Mas acontece que ela mal conseguia segurar um lado, quanto mais os dois. Era tão insegura que achava que se não fosse atrás, ninguém mais viria. À medida que ia sentindo-se sozinha, sem ninguém que se importasse, sem ninguém que ao menos parecesse se importar, era difícil dizer quem conseguia ser mais fria, se era a neve que caía onde ela queria estar, ou se era ela. A verdade é que poucos estão com ela, e nem sempre serão todos que permanecerão. Talvez ela continue assim, paranoica que precisa perguntar várias vezes durante o dia o que sentem por ela, talvez para curar um pouco também da carência. Ela só espera não se cansar de correr tanto atrás de uma coisa para não ter um fim, uma coisa que deveria ser perseguida por ambas as partes, não sozinha. Mas ela já arriscou demais, já viu muita gente chegar e dizer adeus - ou nem sequer ouviu uma só palavra -, com isso já perdeu muita gente e ela não queria perder mais ninguém.
Certas coisas a gente tem que ignorar. É tipo aquela visita chata que chega e aperta a campainha. Se você abrir a porta, ela vai entrar, fazer hora e tomar um cafezinho até cansar. Mas se você fingir que não está em casa, ela simplesmente vai dar um passo atrás e ir embora. Pense nisso.
Eu não posso mudar de onde eu vim, mas posso escolher para aonde eu vou.